A sorte costuma “faiá”

13 de agosto de 2026

“Como lidar com a sensação de não ter me tornado quem eu poderia ser?”

Salve, pensador!

Obrigado pela confiança em compartilhar uma questão certamente tão íntima e vital para você.

Será que não existe em você, internamente, um grande conglomerado de ideias que, supostamente, se fossem atingidas, te fariam uma outra pessoa? Uma pessoa melhor?

Quais são essas ideias? De onde elas vêm? Será que você está realmente falando de si mesmo? De quem você está falando quando pensa estar falando de si?

Perguntas complexas, eu sei. Estou aqui para te implicar e dizer, de antemão, que eu só conheço um lugar onde você será acolhido com tais questões: uma longa análise pessoal.

Ao ler, calmamente, a sua questão, fico a pensar primeiramente na sua sensação. Você me acompanha pelo Instagram, portanto, imagino que saiba que as sensações são muito importantes para mim. Sabe que eu faço uma psicanálise que considera, seriamente, o campo dos sentidos. A sua sensação, ao que me parece, é de uma certa impotência. Vou dramatizar para tentar facilitar o que estou pensando como hipótese:

“Giovani, ao longo da vida eu fui descobrindo que se eu tivesse poder para praticar algumas ideias que, hoje sei, seria uma outra pessoa. Talvez, uma pessoa melhor. Agora que tanto tempo já se passou, me sinto mal, pois já não tenho possibilidade de me tornar aquele que eu acho que poderia ser. Olho para o que sou e me sinto fracassado. Olho, sempre imaginando, aquele que eu poderia ter sido e lamento, pois não será mais possível chegar lá. O que fazer com essa sensação de fracasso?”

Mas também me ocorre um outro ângulo. E o que mais me interessa aqui, é tentar me sintonizar contigo, numa frequência em que eu consiga escutar aquilo que está dito na sua pergunta, mesmo que não esteja claro para você. Aquilo que é seu, mas que talvez você ainda não tenha se dado conta. 

Muitos dirão que isso é do campo das profundezas. Eu direi que isso é mais raso do que se imagina. Nossas raízes são muito mais nítidas do que se pode imaginar. Minha aposta, aqui e agora, é delicadamente, ao seu lado, poder apontar para isso.

Sinto que, juntamente com a sensação de impotência (frente a esse ideal), também existe uma certa sensação de onipotência. Sim, aliás, “se eu lamento por não conseguir, é porque, em alguma medida, eu creio que consigo. Eu tenho capacidade para tal. Eu evito dizer por aí, porque pode pegar mal, mas eu sei que eu sou foda.” Bingo! Eis a onipotência!

Ao olhar para isso, vejo, ao menos, essas duas dimensões. Elas são antagônicas e conflituosas quando vistas do ponto de vista consciente, porém, inconscientemente elas estão convivendo em você. Os opostos coexistem. Também somos todos feitos de contradições.

Seguindo um pouco mais, também fico pensando na palavra “tornado”. Não como você a utilizou na sua pergunta, mas literalmente mesmo, como esse que acabou de acontecer no sul do país e deixou tantas consequências. Eu sinto que, de alguma forma, sem deixar mortos e feridos, é exatamente esse movimento que você gostaria que lhe acontecesse: um rebuliço que, ao contrário do fenômeno natural, coloque tudo em seus devidos lugares, organize, transforme e surpreenda você. Quase como uma espécie de pensamento mágico realizável.

Honestamente? Isso não vai acontecer. Não conte com a sorte, a sorte costuma “faiá”. Trabalhe arduamente até inventar um jeito de lidar com isso.

E lembre-se: essa é uma música que não se dança sozinho. Encontre o seu par.

Um abraço,

Giovani Malini
Vila Velha – ES
13/08/26

Obs.: texto escrito sem inteligência artificial.

Referências:

Gilberto Gil. Andar com fé (1982).

Posso te avisar no próximo post?